Nosso Pároco

 

Nosso Pároco

Padre Orlando Aparecido Maffei


 

"O Senhor me escolheu desde o ventre de minha mãe"

 

 

Padre Orlando Maffei revela que tem uma grande identificação com o profeta Jeremias e diz que desde criança queria a seguir vocação sacerdotal

"Antes que eu te formasse dentro do seio de tua mãe, antes que tu nascesses te conhecia e te consagrei para ser meu profeta entre as nações eu te escolhi. Irás onde enviar-te e o que te mando proclamarás". O trecho inicial da música o „Profeta?, composta por Luiz Carvalho e entoada pela banda Comunidade Recado, menciona a característica de uma pessoa, que, segundo o dicionário Aurélio "significa aquele que proclama". Ainda de acordo com o contexto bíblico, são homens e mulheres anunciavam a palavra de Deus e denunciava os males da sociedade.  

De Abraão aos apóstolos de Jesus Cristo os tempos evoluíram e o chamado persiste em suscitar pessoas. E um destes escolhidos foi o padre Orlando Aparecido Maffei, de 46 anos, o qual exerce a vocação sacerdotal desde 1996 e tem a canção acima como um referencial de sua existência.

Assim os profetas da antiguidade, Maffei, que é pároco da Paróquia Sant'Ana de Araçatuba, é procurado por diversas pessoas de diferentes realidades e história. Ao receber a nossa equipe, ele era aguardado por pelo menos dez pessoas que se aglomeravam na sala de esperas, "este é um dos frutos de nosso trabalho", explicou ao mencionar a espiritualidade como um dos fatores positivos da comunidade local.

Nascido na zona rural de Reginópolis (a 169 quilômetros de Araçatuba) em 20 de maio de 1964, padre Orlando conta que veio de uma família bastante católica, e que desde criança pretendia seguir a vocação sacerdotal. Contudo, ele recorda que desde o nascimento até a adolescência sofria com diversas enfermidades. Ele ainda reitera que nasceu prematuro de sete meses. "Ninguém esperava o meu nascimento. A concepção pegou todo mundo de surpresa, despreparado. Inclusive um tio meu conta para mim até hoje que quando foi me visitar não me dava esperanças de vida prolongada", relembra.

Durante a infância, o padre conta que sofreu com enfermidades como nefrite e reumatismo no sangue, passando grande parte do tempo em hospitais, o que por conseqüência o impedia de ter uma vida saudável como as crianças em comum. "Eu não me recordo de ter uma infância saudável, pois eu não podia passar em frente a um hospital que os médicos já me chamavam para dentro", brinca Maffei.

Mas na adolescência, segundo o pároco, as doenças foram sendo superadas como "milagre de Deus", o que possibilitou a ele aprender atividades como andar de bicicleta, jogar bola e nadar. Ele diz que quando jovem participava ativamente das atividades religiosas e mantinha o pensamento de ser padre, mantendo inclusive uma identificação com o profeta Jeremias. "Nunca passou pela minha cabeça o sacramento do matrimônio e a constituição de uma família. Era mais forte este desejo (de ser padre) do que outras coisas. O Senhor me escolheu desde o ventre de minha mãe", conta.

E como toda missão de profeta tem um início a dele foi na década de 1980. De acordo com Maffei, em 1986, com 22 anos, foram iniciados os trabalhos vocacionais para que finalmente em 1989 ele pudesse ser ingressado no seminário, iniciando assim os estudos para ser sacerdote. "Foi o ano que o Lula perdeu a eleição"(para o Collor), recorda com risos.

Fazendo uma análise deste período estudantil, o padre assume que era um ativista em suas atitudes. Assim como um profeta que denuncia as injustiças e mazelas sociais, Maffei reitera que era o líder dos estudantes de Marília, onde cursava os estudos religiosos. Na época o Governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992) enfrentava denúncias de corrupção, onde surgiram manifestações pedindo sua renúncia, em especial a dos "Caras Pintadas". "Escolheram-me para comandar os protestos na cidade; talvez fosse por conta de minha experiência com manifestações religiosas e sociais".

Passado os anos de seminário (oito no total), Orlando finalmente pôde ser ordenado padre. No dia 14 de dezembro de 1996, na mesma cidade de Reginópolis que nascera Maffei era consagrado e ungido para falar e praticar ações em nome do Senhor. "Recordo-me que houve uma festa muito bonita na cidade por ocasião da minha ordenação", afirma. O pároco revela que é até hoje o único sacerdote do município, porém espera que outras vocações sejam despertadas.

Após optar por atuar na Diocese de Araçatuba por falta de demanda, Maffei foi chamado para trabalhar em Andradina, cidade onde permaneceu por seis anos. Ele avalia positivamente o período ali estabelecido, onde destaca conquistas como os trabalhos religiosos e sociais em Nova Independência, também assistida por ele neste período.

Maffei conta que em Nova Independência foi conquistado um sistema de tratamento de água e esgoto até então inexistente na cidade. "Com a Pastoral da Criança conseguimos fazer este trabalho pioneiro em nível de Brasil. Os resultados foram sentidos na medida em que a mortalidade infantil e doenças em crianças tiveram queda exemplar", explica.

Em 2002, o padre foi chamado a uma nova missão evangelizadora. No ano em destaque, Maffei foi designado para assumir o comando das cinco comunidades que abrangem a Paróquia Sant'Ana, onde também aprova os trabalhos realizados ao longo dos últimos sete anos. "Vale destacar a maneira a qual trabalhos a espiritualidade. Hoje há uma comunidade viva e atuante. Esta é uma das grandes conquistas".

Como em toda missão há desafios e posicionamentos adversos. Maffei cita como um dos episódios mais polêmicos em sua passagem pela cidade um artigo criticando a situação política de Araçatuba. Em 2008, o padre se posicionou contrário aos trabalhos da Câmara de Vereadores, a qual por

maioria havia cassado a então prefeita Marilene Magri Marques (PV). O texto rendeu outro artigo assinado por parte dos parlamentares, onde o pároco foi duramente contestado. "O meu artigo não teve um cunho partidário, e sim foi abordada uma situação de injustiça que estava acontecendo".

Ao mencionar as conquistas paroquiais, Maffei não se esqueceu de que um profeta também é rodeado de desafios. De acordo com ele, o maior deles é dar uma assistência maior para os mendigos e andarilhos. "Após o término definitivo da igreja Sant?Ana (concluída em 2.010) devemos trabalhar mais a questão social, pensando de que maneiras podemos cuidar das pessoas que moram nas ruas", revela.

Por Cláudio Henrique, PASCOM Paróquia Sant'Ana



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